A trajetória de Clara Taís Cardoso Toro agora ganhou páginas, palavras e sentimentos compartilhados com o mundo. Ex-aluna do CEDEG/APAE (Centro de Educação Especial Girassol), Clara lança o livro “PONTES DE AFETO – conectando os mundos de Clara – Histórias que aproximam, pontes que transformam”, uma obra profundamente sensível e marcada pela coragem de revisitar a própria história para transformar dor em cura.
O evento de autógrafos e venda de exemplares acontece no dia 28 de maio (quinta-feira), às 14h, no CEDEG/APAE, reunindo familiares, amigos, profissionais e todos aqueles que desejam conhecer de perto a história de uma mulher que encontrou na escrita uma ponte entre suas vivências.
Aos 30 anos, Clara carrega uma vida repleta de experiências intensas. Diagnosticada com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, atrofia cerebelar e deficiência no desenvolvimento global, ela decidiu compartilhar sua visão de mundo com autenticidade e delicadeza. O sonho de escrever nasceu ainda na infância, quando ela tinha apenas 7 ou 8 anos. Décadas depois, o desejo guardado no coração finalmente se transformou em livro.
Mais do que um relato pessoal, Pontes de Afeto é um testemunho sobre resiliência, acolhimento e a força das conexões humanas. A obra percorre memórias felizes da infância, mas também enfrenta momentos difíceis vividos por Clara, especialmente durante a adolescência, período em que ela relata sentimentos de exclusão e inadequação.
Segundo Clara, a escrita foi uma forma de reencontrar partes de si mesma. Para tornar o sonho possível, ela contou com o apoio da mãe, Edina Cardoso e da amiga Mara Calvis, organizadora da obra. Em um processo construído com muito carinho, mãe e filha revisitaram lembranças, sentimentos e experiências que precisavam ser verbalizadas.
“Sentei com a Clara e fomos elencando tudo que ela queria escrever no livro. Eu escrevia, depois lia para ela. Quando precisava, ela complementava do jeito dela. Eu fui sendo a mão dela para escrever a história dela”, relata Edina.
Ainda segundo a mãe, o processo de construção do livro foi também um caminho de cura emocional.
“Para a Clara foi muito rico, porque foi curativo em vários aspectos da vida dela. Existiam situações mal resolvidas que ela não queria revisitar. Mas, nesse processo, ela enfrentou, voltou nesses lugares e superou muitas dores”, destaca.
A obra também chama atenção pela proposta inclusiva. Todo o texto foi escrito em letras maiúsculas para facilitar a leitura, tornando o livro mais acessível para Clara e para outros leitores que se beneficiam desse formato. O cuidado reforça o propósito da publicação: construir pontes de compreensão, respeito e inclusão.
Ao longo das páginas, Clara compartilha reflexões profundas sobre pertencimento, preconceito e acolhimento. Em um dos trechos mais marcantes, ela relembra o período em que se sentia “invisível, estranha e inadequada”, ao vivenciar uma inclusão que, segundo ela, existia mais na teoria do que na prática. Sua narrativa, no entanto, não se prende à dor, ela transforma experiências difíceis em aprendizado, sensibilidade e esperança.
Para o CEDEG/APAE, acompanhar a trajetória de Clara é motivo de orgulho e emoção. “A instituição fez parte importante de sua caminhada, oferecendo acolhimento, desenvolvimento e apoio em diferentes fases da vida. Hoje, ver uma ex-aluna lançar um livro tão verdadeiro e transformador simboliza também a importância de acreditar no potencial, nos sonhos e na voz de cada pessoa”, afirmou a diretora pedagógica da unidade escolar, Helciane Franco.





