A fisioterapeuta Patrícia de Morais, responsável pelo Laboratório de Análise de Marcha do Centro Especializado em Reabilitação e Oficina Ortopédica (CER/APAE), da APAE de Campo Grande, teve o primeiro artigo de seu doutorado publicado na última quinta-feira (30) na Brain Sciences, revista científica internacional voltada à área de neurociências.
O estudo foi realizado no Laboratório de Análise de Marcha do CER/APAE, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
O espaço da APAE de Campo Grande reúne tecnologias avançadas para avaliar com precisão a marcha e os movimentos corporais de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o primeiro e único laboratório desse porte em Mato Grosso do Sul.
A pesquisa abordou o envelhecimento, processo marcado por alterações que comprometem a mobilidade. Essas mudanças são acompanhadas por declínios no equilíbrio, no controle postural e na função cognitiva.
Segundo Patrícia de Morais, embora a relação entre equilíbrio, controle postural e mobilidade já tenha sido amplamente investigada, ainda há poucas evidências sobre como diferentes demandas cognitivas interferem na mobilidade durante as atividades do dia a dia.
“Embora a relação entre equilíbrio, controle postural e mobilidade tenha sido extensivamente investigada, as evidências sobre como diferentes demandas cognitivas influenciam o desempenho da mobilidade na vida cotidiana permanecem limitadas. Assim, este estudo investigou como diferentes demandas cognitivas associadas ao uso de telefone celular afetam o desempenho da mobilidade em adultos jovens e idosos”, explicou a fisioterapeuta.
Para a realização do estudo, foram recrutados 124 participantes com função cognitiva preservada, sendo 62 adultos jovens e 62 pessoas idosas. Parte das coletas com os participantes jovens foram realizadas com usuários e voluntários do CER/APAE. Os participantes foram submetidos a três condições de caminhada: sem distração, enviando mensagens de texto e conversando ao telefone. Sensores de movimento vestíveis foram utilizados para quantificar o desempenho da mobilidade em diferentes componentes da tarefa. Além disso, a idade e a função cognitiva foram avaliadas para investigar seus papéis no desempenho da mobilidade.
Os resultados demonstraram que as pessoas idosas apresentaram pior desempenho na marcha em comparação aos jovens, registrando tempos mais longos para concluir múltiplas tarefas de mobilidade funcional. O envio de mensagens de texto e as conversas telefônicas também afetaram negativamente o desempenho da marcha, com impacto semelhante entre as duas atividades.
“A idade foi o principal determinante do desempenho da mobilidade, enquanto a cognição desempenhou um papel menor. Esses achados reforçam a necessidade de intervenções que abordem as alterações relacionadas à idade e as demandas cognitivas para melhorar a mobilidade em idosos”, afirmou Patrícia de Morais.

