“Ela não conseguia sustentar a cabeça. Hoje sobe escadas sozinha”: a evolução de Valentina com o acompanhamento do CER/APAE

Aos seis meses de vida, Valentina Braz Arguelho ainda não conseguia sustentar a cabeça, sentar ou realizar movimentos esperados para sua idade. Diagnosticada com Síndrome de Down, ela foi encaminhada ao Centro Especializado em Reabilitação e Oficina Ortopédica (CER/APAE) da APAE de Campo Grande, onde iniciou um acompanhamento multiprofissional que, ao longo de três anos, contribuiu para seu desenvolvimento motor, cognitivo e funcional.

Hoje, aos 3 anos, a realidade é outra. Valentina anda, corre, fala, se alimenta sozinha e encanta a todos por onde passa com seu sorriso. Entre as conquistas que mais emocionam a família está a autonomia para subir sozinha as escadas do prédio onde mora. Uma cena que representa o quanto o acompanhamento especializado fez diferença em seu desenvolvimento.

“Quando ela iniciou o tratamento, tinha seis meses de vida. Tinha dificuldade em sustentar a cabecinha, não sentava, não rolava, não fazia movimentos compatíveis com a idade dela. Passaram-se três anos, e hoje a Valentina é uma criança que anda, que corre, come sozinha, que fala. Então, ela está nota dez”, conta a mãe, Aline Braz.

Devido à hipotonia muscular, condição comum em crianças com Síndrome de Down e que provoca diminuição do tônus muscular, Valentina precisou iniciar precocemente o processo de reabilitação. No CER/APAE, recebeu atendimento de uma equipe multiprofissional, composta por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e médicos de diferentes especialidades.

Para Aline, o acolhimento e o atendimento oferecidos pela instituição foram fundamentais desde o diagnóstico.

“Quando uma mãe recebe o diagnóstico, seja de Síndrome de Down ou qualquer outra síndrome, a gente fica meio perdida, sem saber o que fazer. Quando fui encaminhada para o CER/APAE, minha filha teve todo o acompanhamento necessário. Foi algo muito além do que eu esperava e foi fundamental na nossa vida”, ressalta.

Outro diferencial no tratamento de Valentina foi o acesso ao Método TheraSuit, programa intensivo de fisioterapia oferecido gratuitamente pelo CER/APAE.

“A Valentina conseguiu fazer um tratamento que é muito raro de encontrar em Campo Grande. Quando existe, normalmente é particular. Se eu fosse pagar, gastaria em torno de R$ 20 mil por mês. Aqui na APAE de Campo Grande, minha filha conseguiu fazer esse tratamento gratuitamente. Foram 30 dias de terapia, três horas por dia, e isso colocou a Valentina muito à frente em questão motora. Ela teve muitos ganhos. É um dos tratamentos diferenciais que a APAE oferece hoje”, destaca.

Segundo a fisioterapeuta Greiciani Fadel Borin Machado, certificada no Método TheraSuit, Valentina realizou dois programas intensivos durante seu acompanhamento.

“A Valentina realizou dois programas do Método TheraSuit no CER/APAE, evoluindo com melhora do equilíbrio, coordenação motora, força neuromuscular e autonomia, além de apresentar melhora significativa das habilidades motoras funcionais”, conta a fisioterapeuta.

Além do desenvolvimento físico, Aline destaca o acolhimento recebido pela família ao longo de toda a trajetória.

“Para mim, a APAE/CG representa um lugar de acolhimento. Eu e minha filha fomos muito bem acolhidas aqui. Ela faz todos os acompanhamentos que precisa e, considero aqui como um lugar de luz. Minha filha hoje é muito feliz e praticamente autônoma”, explica Aline.

Ao falar sobre o futuro da filha, a mãe imagina uma vida com independência e oportunidades. “Toda mãe espera que o filho tenha autonomia de vida. Quando se tem um filho com uma síndrome, pensamos muito no futuro. Hoje, eu vejo a Valentina como uma mulher autônoma. Quero que ela frequente a escola, estude, faça faculdade, se assim desejar, namore, case, tenha uma vida normal e, principalmente, seja feliz”, compartilha.

Método TheraSuit

O Método TheraSuit® foi desenvolvido nos Estados Unidos e consiste em um programa intensivo de reabilitação voltado a pessoas com desordens neuromusculares. O tratamento é individualizado, elaborado após avaliação específica de cada paciente, e tem duração de quatro semanas, com sessões diárias de três horas.

No CER/APAE, o método é realizado por fisioterapeutas treinados e certificados. Para participar do programa, o usuário precisa estar em acompanhamento na fisioterapia da instituição e passar por avaliação da equipe responsável, que verifica os critérios de elegibilidade.

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